Como temos destacado em diversos artigos do Blog Ronney Greve Advogados, o processo de recuperação judicial é, ao mesmo tempo, complexo e uma oportunidade para as empresas reequilibrarem suas finanças, mantendo boas relações com outros agentes do mercado, quitando dívidas junto aos credores e preservando empregos.
Em relação à complexidade, é importante ressaltar que um estudo da Serasa Experian apontou que, das sociedades empresariais que entram com pedido de recuperação judicial, aproximadamente 25% obtêm sucesso nesse processo (1 em cada 4 empresas).
Esse cenário reforça a importância do suporte jurídico especializado e de um planejamento assertivo para que a empresa possa se reorganizar enquanto desfruta dos benefícios da recuperação, que incluem:
– Suspensão de execuções pelo período mínimo de 180 dias;
– Maior tempo para a empresa planejar estratégias de reestruturação financeira;
– Possibilidade de negociar a redução de juros, taxas, obtenção de descontos e prazos mais flexíveis para o pagamento dos créditos, entre outros pontos abordados em postagens recentes.
Apesar do amplo processo de negociação e das diferentes etapas da recuperação judicial, há diversos exemplos no mercado de empresas que passaram por esse processo e obtiveram sucesso. Para destacar esse lado positivo do processo, levando em conta o aumento dos pedidos de recuperação judicial no país, que teve um salto de 52% no primeiro semestre de 2023, neste artigo destacamos três exemplos de empresas que passaram pela recuperação e colheram bons resultados com essa estratégia.
Boa leitura!
Mangels
Com o pedido de recuperação judicial protocolado em novembro de 2013, a Mangels, maior fabricante de rodas automotivas do país, acumulava, à época, uma dívida na casa dos R$ 400 milhões. Após 4 anos de um processo de recuperação que se encerrou em março de 2017, a empresa não apenas conseguiu quitar suas dívidas, mas também registrou um faturamento recorde em 2021, superior a R$ 1 bilhão.
Em uma análise do Portal ConJur, executivos da empresa explicaram que, em conjunto com o processo de recuperação judicial, a empresa revisou seus conceitos de gestão, dialogou com funcionários de todas as hierarquias e cortou benefícios dos cargos de alto escalão, além de reduzir o número de diretores da empresa.
Kepler Weber
Uma das líderes do mercado de silos e armazenagem de grãos, a Kepler Weber enfrentou uma crise na segunda metade dos anos 2000. Em 2006, a empresa acumulou dívidas de cerca de R$ 500 milhões. Em entrevista ao Infomoney, executivos da empresa afirmaram que a companhia não avaliou adequadamente o momento do mercado e apostou em uma expansão infrutífera que desequilibrou profundamente suas finanças.
Próxima da falência, a Kepler Weber entrou com pedido de recuperação judicial em 2007 e, após alguns anos de uma estratégia que combinou a divisão das dívidas em equity, debêntures, entrada de investimentos de novos sócios e a adoção de políticas de austeridade, reconquistou a confiança do mercado. Já em 2011 e 2012, a empresa acumulou lucros na casa dos dois dígitos e, em 2013, suas ações tiveram uma alta de 140% na bolsa.
Eneva
Com uma dívida superior a R$ 2 bilhões em 2014, a Eneva, que fazia parte do grupo de empresas de Eike Batista, entrou com pedido de recuperação judicial visando reestruturar suas dívidas e iniciar um novo processo de crescimento, baseado em um modelo de gestão mais robusto e regras rígidas de austeridade.
Uma das maiores recuperações da história do país, já em 2016, a empresa encerrou com sucesso o processo e, este ano, registrou um EBITDA recorde de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre (um crescimento de 144% em relação ao mesmo período de 2022).
Conclusão: fatores determinantes para o sucesso em uma recuperação judicial
Como foi possível perceber, ter um pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça é apenas o primeiro passo para que uma empresa consiga, de fato, reestruturar suas dívidas. Além de múltiplas rodadas de negociação com credores, a empresa precisará adotar estratégias para gerar receita, manter o fluxo de caixa e diversificar suas fontes de entrada financeira.
Outro ponto importante é o compromisso dos sócios e dos tomadores de decisão da empresa na adoção de políticas transparentes e de gestão eficientes e austeras, visando renovar a confiança com o mercado.
O entendimento do momento certo para entrar com o pedido é outra etapa crucial, já que os gestores precisam de sensibilidade, aliada à orientação jurídica, para solicitar a recuperação judicial quando ainda é possível reverter um cenário de crise e reestruturar dívidas.
Finalmente, o suporte de escritórios especializados deve estar presente em todas as etapas do processo, desde a escolha pela recuperação judicial até o desenho de caminhos para que o processo seja bem-sucedido.
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