O que as empresas podem fazer para reduzir seu impacto ambiental

Há alguns anos, tem sido compreendido tanto pelo mercado quanto pela sociedade civil que as empresas que não adaptarem seus processos produtivos e rotinas para torná-los mais sustentáveis poderão sofrer impactos em sua imagem institucional, na relação com os stakeholders e até mesmo na atração de investimentos. Isso é evidenciado pela consolidação dos chamados fundos verdes no mercado de capitais, os quais exigem práticas e políticas claras de redução de danos ao meio ambiente.

Essa perspectiva tem sido observada principalmente em meio a discussões cada vez mais amplas e frequentes acerca dos conceitos e práticas ESG (sigla para os termos ambiental, social e governança, em tradução livre), os quais já podem ser considerados familiares para a grande maioria das organizações – ao menos em um nível mais básico.

Para termos uma perspectiva, de acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 500 médias e grandes empresas industriais, 98% delas adotam pelo menos uma ação de sustentabilidade, e nove em cada 10 das entrevistadas adotam ações para reduzir o desperdício de água e energia. Além disso, 63% afirmaram a intenção de ampliar os investimentos em sustentabilidade nos próximos anos.

Assim, dando sequência a nossos artigos sobre o universo ESG, nesta publicação, vamos analisar algumas das práticas sustentáveis que o mercado pode seguir para reduzir seu impacto no meio ambiente e a sua importância no atual cenário.

Acompanhe a leitura!

Adaptar-se para crescer diante das novas exigências ESG do mercado

Dentro de um contexto de rápidas e intensas transformações no ambiente de negócios contemporâneo, é natural que muitos negócios encontrem dificuldades em se adaptar a novas demandas presentes no mercado.

Assim, um primeiro passo para empresas que desejam mudar processos em prol de rotinas e práticas mais sustentáveis diz respeito à construção de um planejamento estratégico que coloque as preocupações, conceitos e práticas relacionadas à sustentabilidade no centro das demandas do negócio e em conjunto com os demais pilares ESG de governança.

Essa é uma etapa que envolve, em muitos casos, uma mudança em termos de cultura organizacional e que deve perpassar a atuação de todos os profissionais da empresa, sobretudo daqueles que ocupam cargos de liderança – e, portanto, possuem maior poder de decisão para definir as práticas e rumos de um negócio.

Essa adaptação, por sua vez, é fundamental dentro de uma perspectiva de futuro para as corporações. Segundo resultados de um estudo conduzido pela startup Opinion Box, 67% dos consumidores têm o hábito de pesquisar as práticas de ESG das empresas antes de realizar uma compra – com foco principalmente em questões de sustentabilidade e meio ambiente.

Dentre os respondentes, ainda, 75% deles afirmam que negócios que apresentam práticas sustentáveis possuem maiores chances de conquistá-los como clientes.

Algumas práticas iniciais e seus benefícios

É válido ressaltar também que a incorporação de práticas sustentáveis à estratégia de negócios pode trazer muitas vantagens externas e internas para as corporações, como, por exemplo:

– Crescimento de receitas;

– Redução de custos operacionais – mediante, por exemplo, a eliminação de desperdício;

– Controle de riscos acerca de danos ambientais que podem gerar multas e autuações para as empresas;

– Reforço do posicionamento de mercado do negócio diante do maior interesse pela pauta ESG na sociedade;

– Melhoria da reputação e aumento de visibilidade da empresa;

– Potencial atração de investimentos, dentre outros.

E, por mais que a adoção de práticas sustentáveis possa representar um grande desafio para muitas organizações, certos processos podem ser estabelecidos praticamente por todas as empresas, independentemente de seu porte e setor de atuação.

Nesse contexto, algumas ações simples podem representar uma primeira etapa fundamental nessa direção – sendo fundamental, conforme supracitado, que se estabeleça um plano estratégico que guie a empresa e possibilite, também, a mensuração de resultados e de impacto.

Uma delas diz respeito ao uso consciente de água e energia, ponto que pode ser considerado mandatório em todo o mercado. Isso porque o desperdício desses recursos, além de trazer danos significativos para o meio ambiente, pode comprometer parte do orçamento da empresa e reduzir seu potencial de investimentos.

Acerca disso, já é possível investir em materiais e equipamentos com maior vida útil e com menos impacto ambiental: há inúmeros exemplos nesse sentido disponíveis no mercado, desde questões mais elementares, como o uso de lâmpadas LED até a automação de torneiras ou mesmo investimentos em espaços corporativos que seguem os pressupostos dos “green buildings”, uma tendência do mercado de construção civil que viu um aumento de demanda expressivo no Brasil ainda dentro do contexto de pandemia.

Além disso, a digitalização também pode ser uma grande aliada das companhias que buscam reduzir seu impacto ambiental. Um exemplo é a implantação de processos que possibilitem a documentação eletrônica, de modo a evitar e diminuir o volume de uso e o desperdício de papel – os quais ainda representam gargalos em muitas empresas.

Do ponto de vista estratégico, por fim, é válido considerar tanto a adoção de métricas consistentes na esfera ESG – assunto que foi analisado, em detalhes, em publicação recente de nosso blog – quanto o estudo das leis ambientais e dos possíveis impactos que a atividade econômica de uma empresa pode gerar no meio ambiente, etapa essa que pode ser conduzida com o devido suporte jurídico.

Conclusão

Como é possível observar, há uma miríade de ações que podem ser adotadas pelas empresas com o intuito de reduzir seu impacto no meio ambiente – desde questões mais operacionais até o âmbito estratégico do negócio.

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