Responsabilidade social: a contribuição positiva das empresas em suas comunidades

Não é exatamente uma novidade que, nos últimos anos, os mais diferentes setores da economia brasileira e mundial têm passado por constantes e profundas transformações. Tais mudanças incluem um olhar mais acurado acerca do impacto e da responsabilidade social das empresas na relação com as comunidades em que estão inseridas. Hoje, em um cenário no qual empresas e público consumidor constroem relações de relativa proximidade – devido, sobretudo, à digitalização -, é praticamente mandatório que as organizações entendam e atendam às novas demandas de seus clientes, não apenas em termos de oferta de produtos e serviços.

Nesse contexto, tornou-se necessário – e, de certa forma, um aspecto de diferenciação – que as organizações se atentem em relação à sua responsabilidade social, não só por representar uma preocupação por parte dos consumidores, mas também dos investidores, que baseiam suas tomadas de decisão nos resultados das empresas em termos organizacionais, ambientais e sociais. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria PwC, 79% dos gestores e investidores consultados para o levantamento consideram que os riscos e oportunidades atrelados ao ESG são fatores importantes em suas negociações, e 49% desistiriam de investir em empresas que não adotam ações de ESG em sua cultura organizacional.

Investimentos e Adequação às Normas

Com o ganho de importância do tema em tempos recentes, investimentos focados em responsabilidade social já são uma tendência em todo o mundo – e levam em conta critérios importantes no momento de composição da carteira de um investidor. Estima-se que os aportes financeiros relacionados ao ESG devem chegar a US$ 53 trilhões (R$ 273 trilhões) até 2025. Além de representar uma tendência no universo dos investimentos, questões de responsabilidade social estão presentes também em normas internacionais – e passaram a estar presentes também em território brasileiro.

Em novembro de 2010, a Norma Internacional ISO 26000 foi publicada em Genebra, na Suíça, apresentando diretrizes sobre Responsabilidade Social. Em dezembro de 2010, a versão em português da norma – ABNT NBR ISO 26000 – foi lançada no Brasil. De acordo com a ISO 26000, “a responsabilidade social se expressa pelo desejo e pelo propósito das organizações em incorporarem considerações socioambientais em seus processos decisórios e a responsabilizar-se pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente.” Implica-se, dessa forma, que as empresas se comportem de maneira ética e transparente, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e estando em conformidade com as legislações aplicáveis. É válido ressaltar, ainda, que se trata de uma norma de uso voluntário das empresas.

Ações de Responsabilidade Social

Representando o “S” na sigla ESG, as ações de responsabilidade social dizem respeito àquelas voltadas para os stakeholders de uma empresa, ou seja, todos aqueles que compõem as cadeias internas e externas de produção e consumo da organização. Em outras palavras, representam a forma pela qual um negócio contribui para o bem da sociedade, proporcionando uma melhor qualidade de vida para o seu meio. Assim, esse pilar se preocupa com questões como diversidade de equipes e engajamento dos funcionários, atenção à proteção de dados de colaboradores e consumidores, defesa do consumidor, direitos humanos, e apoio a ações sociais realizadas pelo Terceiro Setor, entre outras.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu, o público consumidor no Brasil valoriza mais as empresas que estabelecem uma relação de cuidado com as pessoas, incluindo os próprios funcionários, deficientes físicos e a comunidade. Conforme o levantamento, existem cinco ações que ganham destaque por parte dos consumidores:

  • Atuação no combate ao trabalho infantil.
  • Respeito aos funcionários, independentemente de religião, raça, sexo, identidade de gênero e orientação sexual.
  • Investimentos em programas de contratação de PCDs.
  • Oferta de condições dignas de trabalho.
  • Contribuição para o bem-estar da comunidade local.

Dando o Exemplo: Cases de Programas de Responsabilidade Social

Atualmente, o Brasil conta com mais de 300 empresas B certificadas – um reconhecimento para as organizações com melhores práticas em cinco dimensões de impacto: comunidade, meio ambiente, clientes, trabalhadores e governança. Apenas para efeito de elucidação, a Natura, por exemplo, além de promover iniciativas sociais por meio da marca, apoia projetos sociais em escala individual. A partir do Movimento Natura, a companhia possibilita que seus consultores e consultoras enviem propostas de ações sociais e as incentiva com divulgação e conexões mais amplas.

Outro case interessante é o da Papel Semente, empresa que desenvolveu um papel artesanal reciclado e ecológico, produzido a partir de sementes de flores, hortaliças e temperos. Com certificação B desde 2016, é reconhecido mundialmente pelo seu trabalho com a comunidade: 90% de seus funcionários são residentes da comunidade de Guaxindiba, em São Gonçalo (RJ). Além disso, o negócio é parceiro da Recooperar, uma cooperativa de catadores de material reciclável – que serve de matéria-prima para seus produtos.

Conclusão

A partir do que foi apresentado, pode-se concluir que práticas relacionadas à responsabilidade social das empresas não são exatamente algo novo no mercado, mas devem ganhar cada vez mais importância ao longo dos próximos anos. Assim, é fundamental que as organizações se mantenham atualizadas e atentas a esse cenário, inclusive acompanhando legislações e regulamentos que impliquem uma atenção mais ativa à responsabilidade social da empresa.

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